Festa de maio

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Faz chuva de toda cor no céu de maio
Incandescentes chamas se espalham em mar de lágrimas,
fogueteando a escuridão
Entre estrépitos rumores de vozes,
estrondosas explosões
Avisam que é chegada a hora...
Nossa Senhora de Fátima é coroada
Mãe-rainha
Em volta de sua pequena capela,
Obra de Frei Jucundiano,
Conhecida por todos: igrejinha.
Sua imagem veio de Portugal
Trazida pelos padres Capuchinhos
Com suas batinas brancas, em procissão,
Arrastaram gente de toda espécie:
Bêbados, beatas, mendigos e homens de fé...
Assim começou a festa de maio
Uma simples quermesse: festa e religião
Que cresceu, cresceu, se transformou,
Até perder a dimensão.
Já não se sabe mais o que é festa e o que é religião:
Da quermesse sobrou a canjica,
o chá-de-amedoim, o leilão...
As crianças vestidas de anjo, a novena, a tradição.
Da festa ficou a alegria,
o povo bonito, a diversão...
Novena virou “quatrena”
Quentão virou frozer
Barraquinha virou FERARP
Carrinho de pipoca virou comércio
Cultura popular virou luxo
Praça da Matriz virou calçadão...
Cada vez mais visitada está a nossa festa de maio
Quem conhece leva consigo a lembrança
Do grande espetáculo de música e de luzes,
(mas, de “grandes” discursos também)...

Enquanto não clareiam a praça, os pobres cantadores da terra entoam suas
humildes violas para depois guardá-las novamente no saco, sem nada dizerem.

Última atualização em Qui, 05 de Maio de 2011 17:26